Pedro Coimbra, presidente da Comissão Política Concelhia do PS de Penacova, desde Abril de 2006 e com o compromisso de preparar as autárquicas de 2009. Cauteloso, não adianta nomes, mas deixa uma convicção forte: o Partido Socialista quer ganhar as próximas eleições.
Câmara é cada vez mais um homem só
Qual é o seu compromisso político com o PS e com Penacova?Ao candidatar-me a primeira vez, em 2006, para um mandato de dois anos, assumi o compromisso de que, caso a minha vida pessoal, profissional e política me permitisse, me recandidataria para perfazer um ciclo eleitoral completo. E, designadamente, para preparar as próximas eleições autárquicas... Agora, penso que temos condições únicas para crescer em número de juntas de freguesia (já temos os candidatos todos escolhidos e convidados, alguns já há tempo) e, sobretudo, para ganhar a câmara, com gente capaz, competente e com provas dadas.
Que balanço faz do trabalho do executivo, incluindo dos vereadores da oposição?
O PS tem feito uma oposição construtiva, mas combativa também, quer no executivo quer na assembleia municipal, com propostas concretas. Apresentámos, inclusive, em tempo útil, um documento ao presidente da câmara, com obras e de projectos que consideramos estratégicos para o desenvolvimento do concelho. A maioria deles até com possibilidade de serem candidatados ao QREN. Nalguns casos, a maioria PSD reconheceu o mérito, de tal forma que já está a candidatá-los, como aliás é sua obrigação – é o caso da biblioteca municipal. Mas não nos acompanhou no forte investimento na criação de emprego e na criação de zonas industriais. É que, repare, somos o único concelho em que não existe uma zona industrial. E porquê? Porque não conheço executivo tão pobre quanto este. Basta ver a dificuldade em encontrar um substituto à altura para a vereadora Zita Henriques. Por isso, o executivo é cada vez mais um homem só, o presidente da câmara, que cada vez concentra mais os poderes e que cada vez confia menos, mesmo em quem escolheu, vereadores, presidentes de junta e membros da assembleia.
Quais são as fragilidades visíveis do concelho?
Penacova tem um problema estrutural gravíssimo. Basta ver que, dos concelhos limítrofes à capital de distrito, Penacova é o que apresenta um índice de poder de compra mais baixo. Ou seja, é mais baixo do que Cantanhede, Montemor, Condeixa, Lousã, Miranda, Poiares e Mealhada, segundo os últimos dados do INE. Se se fizer a mesma análise, ao nível de todos os 17 concelhos do distrito, só Góis e Penela vêm atrás de Penacova. E pouco atrás. Mas é preciso ver que Góis e Penela têm condições geográficas, sociais e de acessibilidade que Penacova não tem. Para além disso, a Pampilhosa da Serra está à nossa frente. Ora, estes dados legitimam, desde já, fazer um balanço extremamente negativo deste executivo, cujo presidente, é bom lembrar, está há 20 anos na câmara.
O turismo tem sido apontado como solução...
Nós temos condições únicas e estamos completamente ao abandono. E para que se perceba a confusão, ao nível do turismo, basta ver as trapalhadas do presidente da câmara à volta do Hotel de Penacova. E com tudo isto, continuamos voltados de costas para o rio, para as nossas albufeiras e para as nossas potencialidades turísticas. Mas, sintomático é também a questão do saneamento. É claro que, nos últimos tempos, a situação melhorou, com algum investimento na área. Mas a verdade é que, comparado com outros municípios vizinhos, continuamos a ficar para trás, com um metro de saneamento per capita que é o mais baixo do distrito e um número reduzido de ETAR e de povoações com o problema tratado. É, aliás, um problema ambiental e de saúde pública, o facto de os nossos esgotos continuarem a correr a céu aberto. Outro dado sintomático foi um ranking nacional da qualidade de vida, elaborado pela Universidade da Beira Interior, em que Penacova aparece na cauda do distrito, no que respeita a indicadores de ordem social e económico.
O PS tem defendido a especialização de Penacova na área das tecnologias de ponta...
Nós não podemos viver sozinhos. Veja que temos, aqui ao lado, em Coimbra, um pólo de excepção, ao nível do ensino e da saúde. Ora Penacova devia aproveitar esta proximidade para desenvolver parcerias e criar estruturas que lhe permitissem criar, no concelho, um cluster na saúde, nomeadamente na área da biomedicina. Aliás, um bom exemplo é o Biocant, em Cantanhede. E eu pergunto: aquele planalto, a seguir à subida do Botão, junto ao IP3, não é um local de excepção, a um passo de todo o lado e de todas as acessibilidades, para a instalação deste pólo de desenvolvimento?
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